Associação de ônibus urbano questiona estudo da USP

Pesquisa afirma que ônibus e caminhões são responsáveis por metade da poluição atmosférica da região metropolitana de São Paulo, mas não define qual a participação de cada um; quantidade de poluentes por passageiro transportado é menor no caso dos ônibus

 

O estudo publicado por pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) na revista Scientific Reports, do grupo Nature, não permite tirar conclusões sobre o impacto dos ônibus nas emissões de poluentes, ao contrário do que foi divulgado. Esta é a conclusão da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que publicou nota técnica analisando o trabalho, suas metodologias e conclusões. A pesquisa, publicada no mês passado (16/7), afirma que ônibus e caminhões são responsáveis por cerca de metade da poluição atmosférica da região metropolitana de São Paulo, apesar de representarem apenas 5% da frota veicular.

Para a NTU, o foco do trabalho é medir os volumes agregados de emissões dos diversos poluentes presentes na região metropolitana de São Paulo, não analisar a eficiência dos modos de transporte. As conclusões da pesquisa extrapolam os fatos, já que estão baseadas em um número limitado de pontos de coleta e não separam os ônibus dos caminhões e de outros veículos movidos a diesel nas suas análises; além disso,  ignoram a eficiência e as emissões por passageiro dos ônibus urbanos. Segundo a NTU, os ônibus urbanos poluem muito menos por passageiro transportado que os outros modos motorizados e a opção pelo transporte público iria reduzir o volume de emissões globais da cidade.

O parecer técnico da NTU reconhece a importância acadêmica e científica do artigo analisado, que se baseia em metodologia inédita para mapeamento de poluentes. Entretanto, a Associação avalia que o referido levantamento não traz informações suficientes para a aplicação prática sobre controle de emissões e para uma avaliação do impacto ambiental dos ônibus urbanos.

De acordo com o parecer, na análise do impacto ambiental do transporte público, por exemplo, os estudos não podem considerar análises simples e isoladas por uma única variável (no caso, volume consolidado de emissão de poluentes). Há um contexto maior a ser considerado e diversos componentes que também precisariam ser examinados.

A NTU lembra que já foram realizados inúmeros trabalhos científicos comprovando que quem utiliza o transporte coletivo polui menos, reduz os congestionamentos e contribui para uma vida melhor. Com base em estudo do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA, 2017), a NTU afirma que uma pessoa, ao usar automóvel, emite 65,8 gramas de gás-equivalente (CO2-e) por quilômetro, quase quatro vezes mais do que faria se estivesse andando de ônibus com outras pessoas (17 gramas).

A NTU faz referência também ao Inventário de Emissões Atmosféricas do Transporte Rodoviário de Passageiros no Município de São Paulo (2015), no qual buscou-se estimar a participação dos diferentes tipos de frotas de veículos usados no transporte de passageiros da cidade.

 

Fonte: NTU

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