O valor do ônibus como agente de cidadania e parceiro da história de vida de cada um

Muitas pessoas, ao verem as fotos de ônibus antigos, muito mais que lembrarem dos veículos, se recordam de situações e momentos de suas vidas. O ônibus faz parte da história de cada um.

Cada vez mais, a sociedade e a imprensa têm reconhecido a importância dos sistemas de transportes não somente “no frio” desenvolvimento, mas também no dia a dia de cada um.

Na vida, aparecem vários parceiros que nos ajudam a prosseguir e a continuar nossas lutas em prol de nosso sustento e realizações.

Estes parceiros podem ser pessoas, situações ou mesmo serviços e materiais.

E com certeza, o ônibus é o parceiro de muita gente, ajudando, inclusive, na busca por uma vida melhor.

Por isso, por mais que sejam justas as reclamações que pedem melhorias nos serviços, o ônibus reúne em si algo especial e deve ser visto de uma maneira diferente pelas pessoas.

Pode fazer um teste. Se você ver a foto de um ônibus antigo, logo vai lembrar de situações e momentos de sua vida: do passeio com os pais e avós, das idas para a escola, do primeiro emprego, do primeiro namoro … Olha só, uma verdadeira linha de evolução.

Os serviços de ônibus no Brasil como um todo precisam melhorar muito. A questão das tarifas traz em si uma injustiça: a passagem é cara para quem paga, mas não cobre os custos dos investimentos em melhorias. O modelo de só o passageiro bancar com todos os custos está esgotado. O transporte individual, que provoca congestionamentos e poluição, recebe mais incentivo e “paga menos” que o transporte coletivo pelo uso da cidade. Os ônibus não têm estrutura viária adequada e em número suficiente para operarem com qualidade. Hoje a malha de corredores em capitais e regiões metropolitanas é pequena diante das necessidades da população.

Mas, a despeito de tudo isso, o cidadão em si deve saber valorizar os ônibus e seus serviços e encará-los como verdadeiros parceiros.

Zelar pela conservação, pela limpeza e não contribuir para o ato de “furar catraca” é, acima de tudo, respeito ao coletivo, aos demais cidadãos, que, como você, precisam de um serviço de mais qualidade.

Cada vez mais a imagem lúdica e de parceria do ônibus tem ganhado espaço. No programa “Como Será?”, da TV Globo, do sábado passado (21 de abril), o tema foi ônibus, mas de um jeito diferente. Foi revelada justamente a importância do ônibus na vida de cada um. Os busólogos, pessoas que gostam e estudam ônibus, falaram como o veículo pode criar uma empatia com a sociedade: Helio Luiz (Revista In Bus), Adamo Bazani (Diário do Transporte), Mário Custódio (pesquisador e consultor em mobilidade) e o menino João Victor, que é cego e reconhece os modelos de ônibus só pelo barulho, mostraram que se a sociedade começar a dar valor ao ônibus, pode começar a entender o que ocorre com os transportes e ajudar a melhorar. O passado, o presente e a evolução do ônibus e os veículos já “aposentados” que agora são clínicas, food trucks e até barbearia para pessoas com vulnerabilidade social, completaram o programa especial.

Quem quiser assistir, pode acessar este link. O programa está em três partes. Antes, há um texto introdutório com os personagens da matéria:

https://diariodotransporte.com.br/2018/04/21/onibus-e-tema-de-como-sera-da-rede-globo/

E é assim que se começa.
Valorizar o ônibus não é deixar de enxergar os problemas dos transportes, discuti-los e exigir as mais que merecidas melhorias, mas é, acima de tudo, reconhecer um direito social e respeitar o próximo, procurando entender o que ocorre de verdade na mobilidade.

Hoje os ônibus (e seus passageiros) são vítimas de um modelo de cidades feitas para carros, não para pessoas.

 

Fonte: Diário do Transporte

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