Transporte público como prioridade

O transporte público coletivo como principal estratégia de melhoria da mobilidade numa cidade que tem um sistema viário limitado e, por estar espremida entre outros dois municípios (Recife e Paulista), funciona como grande corredor de passagem. Esse é o principal recado do Plano de Mobilidade Urbana da cidade de Olinda, na Região Metropolitana do Recife, cujo relatório final foi apresentado ontem. Pelo menos na teoria, o uso do automóvel será desestimulado, com a proposta de implantação de estacionamento rotativo Zona Azul no Sítio Histórico. E, depois do transporte coletivo, o objetivo é dar prioridade à ciclomobilidade e à mobilidade a pé.
O PlaMobOlinda de Olinda começou a ser elaborado em 2016, foi discutido com a sociedade e contou com assessoria especial e gratuita da WRI Brasil Cidades Sustentáveis. O plano é o principal instrumento de planejamento dos sistemas de circulação e transporte do município, trazendo diretrizes de curto, médio e longo prazos com foco nos transportes público e não motorizados – no caso a bicicleta e o caminhar.

Agora, o relatório será transformado numa minuta de projeto de lei e encaminhado para aprovação pela Câmara Municipal, virando lei.

Entre os pilares do plano estão a melhoria do transporte de passageiros, a promoção de deslocamentos não motorizados, o uso racional do automóvel, o planejamento integrado do uso do solo e, sobretudo, a infraestrutura de todo o sistema.

Mas é no transporte público que os planejadores da mobilidade de Olinda se agarraram.

O PlaMob elegeu seis corredores prioritários e três secundários de transporte na cidade e é a partir deles que traça as estratégias de circulação, propondo integração entre terminais de ônibus existentes no município com os do Recife e a implantação de faixas exclusivas para o transporte público nas vias. Fala também na possibilidade de transformar esses corredores em sistemas de BRT (ônibus de trânsito rápido, na sigla em inglês).

“Passamos todos esses meses discutindo os problemas e as soluções com a população de Olinda, em 13 oficinas populares.

Por isso, tudo que apresentamos aqui são demandas dos cidadãos. Foram eles que pediram, por exemplo, a criação de linhas integrando os terminais da PE-15 e de Xambá com o TI da Macaxeira, na Zona Norte do Recife. Ou a implantação do Plano Diretor Cicloviário Metropolitano (PDC).

Ou, ainda, a criação de estacionamento rotativo no Sítio Histórico”, explica a diretora de Mobilidade de Olinda, Karla Leite, à frente do PlaMobOlinda.

Entre as sugestões da futura legislação, a criação de um sistema BRS (sistema de ônibus rápido, na sigla em inglês) em corredores como as Avenidas Carlos de Lima Cavalcanti e Chico Science e na Avenida Getúlio Vargas. Entre as obras prioritárias para que o PlaMobOlinda consiga ser efetivado, está a retomada da Via Metropolitana Norte, que se interliga com a II Perimetral (Avenida Senador Nilo Coelho) e vira o corredor mais importante para ampliar a circulação do município.

Na ciclomobilidade, a diretriz é implantar o PDC e tentar associar a futura malha e os equipamentos cicláveis ao sistema de transporte público. Além disso, ampliar o sistema de compartilhamento de bicicletas públicas na cidade. Na mobilidade a pé, a meta é ampliar as calçadas e cobrar dos proprietários que cumpram as especificações de qualidade e segurança voltadas aos pedestres.

Relatório será transformado em uma minuta de projeto de lei e encaminhado para aprovação pela Câmara de Vereadores.

 

Fonte: Jornal do Comércio/PE

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